Serão três os Grupos de Discussão que trocarão reflexões no Segundo Colóquio Território Autônomo. Alguns trabalhos serão selecionados para enriquecer as discussões dos grupos e suscitar questões para o debate. Para tanto, tais textos serão disponibilizados previamente no site do evento. Para saber mais sobre como enviar trabalhos, clique aqui.

 

GD-1

Conflitos sociais e espacialidade: Classe, etnicidade, gênero…

O objetivo deste Grupo de Discussão é propiciar a discussão aprofundada de situações de conflito social, com especial destaque para a sua dimensão espacial. Sabemos que as relações de poder são inerentes à produção de conhecimento, aqui em particular o conhecimento geográfico, implicando um saber eurocêntrico, masculino, branco e heterossexual. A Geografia, ao pretender-se totalizante, geralmente exclui de sua análise agentes, relações sociais e de poder e espacialidades que são escamoteadas ou completamente ignoradas por essa abordagem hegemônica. Assim, é com o intuito de revelar as “invisibilidades” do discurso geográfico, que gostaríamos de promover um espaço de discussão sobre o desdobramento de uma Geografia que tenha como iniciativa tornar visíveis esses diferentes grupos via de regra ausentes de sua produção científica. Esta busca uma abordagem composta de interdependências e pluralidades, levando em consideração as diversas dimensões sócio-espaciais como classe, gênero, etnia etc. Por isso, nos interessam relatos e estudos sobre diferentes tipos de opressão, no que diz respeito a suas causas, seus agentes, suas conseqüências e, também, às possíveis estratégias de enfrentamento e superação. Pesquisas que tenham por foco um único tipo de conflito e opressão (luta de classes, racismo, opressão de gênero etc.) são bem vindas, mas é desejável que o autor tente estabelecer vínculos entre diferentes conflitos, questões e agendas.

 

GD-2

Os geógrafos e os movimentos sociais: Como colaborar?

O objetivo deste Grupo de Discussão é propiciar uma oportunidade para que os geógrafos possam refletir e debater sobre as exigências, as possibilidades e os obstáculos no que se refere à colaboração entre estudantes e profissionais, de um lado, com organizações de movimentos sociais, de outro. Se nos encontramos diante de uma ciência que pouco tem se disposto a sair do academicismo e do produtivismo, a estabelecer diálogo e colaboração com a sociedade e a se comprometer com a transformação de sua realidade, deparamo-nos também com a urgência de uma pesquisa sócio-espacial crítica e engajada. Ao perguntarmos a quem tem servido a Geografia, as respostas apontam uma situação muito distante da práxis. Suscitamos a questão sobre como os geógrafos podem colaborar com os movimentos sociais e vemos que, tanto apoiados em reflexões teóricas e estratégicas quanto, sobretudo, em experiências concretas, podemos desempenhar um papel importante no emprego de nossos conhecimentos. Assim, a reflexão aqui proposta pode apoiar-se tanto em uma reflexão teórica quanto em um estudo empírico. No caso de relato de experiências concretas, várias são as situações em que o engajamento pode levar a uma possível cooperação com os movimentos sociais: situações de pesquisa (pesquisa socialmente comprometida, participante ou não, que envolva diálogo e colaboração com organizações de movimentos, podendo chegar, no limite, a uma “pesquisa-ação”, na qual as finalidades do trabalho são discutidas e definidas conjuntamente com os ativistas); atuação de profissionais como “assessores” ou “consultores” de movimentos (auxiliando na elaboração de projetos e propostas); montagem de oficinas, cursos de capacitação etc.


GD-3

Educação libertária e Geografia

Esse Grupo de Discussão tem como objetivo fomentar e aprofundar reflexões sobre as relações entre a educação e a Geografia  –  dois modos de compreensão do mundo  –  sob o prisma do pensamento libertário. Entendemos que a Geografia libertária contribui como um instrumento estratégico de questionamento da Geografia ensinada nas escolas, compreendida enquanto resultado sempre em movimento de um duplo problema epistemológico: de um lado, a Geografia tradicional mascarou diversos aspectos da vida social no âmbito das discussões em sala de aula, colaborando, assim, acriticamente com os projetos dos Estados nacionais. Por outro lado, a Geografia crítica, sobretudo aquela de corte marxista, muito frequentemente secundarizou a espacialidade dos fenômenos sociais, o que compete para o empobrecimento da sua compreensão. Neste sentido, o presente GD, ao propor colocar o pensamento libertário enquanto uma referência para o ensino de Geografia, possui dois objetivos complementares: a) refletir sobre as possíveis contribuições que esta concepção tem ou teve à chamada Geografia escolar; b) suscitar discussões a propósito dos limites e possibilidades de ação dos geógrafos libertários nos espaços educativos, em uma perspectiva mais ampla do que o cotidiano da escola. Pensamos, assim, que o fomento das discussões do GD a partir de estudos críticos sobre o ensino da Geografia, repensando-socializando-significando reflexões e relatos acerca de diferentes tipos de atuação de geógrafos no campo educacional – seja em escolas, sindicatos e/ou outros espaços de luta, seja na sua atuação em projetos de educação popular para além do Estado e da rede privada -, parece-nos um modo de descortinar os princípios educativos das ações libertárias marginalizadas, ou mesmo desconhecidas, na ciência geográfica.

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